O tablet é o equipamento que mais se compra de forma errada. Ou se gasta demasiado em potência que nunca chega a ser usada, ou se poupa a mais e, passados seis meses, o equipamento demora dez segundos a abrir uma aplicação e acaba esquecido numa gaveta.
Este guia ajuda-te a decidir em cinco minutos. Não vais encontrar aqui nomes de processadores que ninguém decora. Vamos ao que pesa mesmo na compra, o tamanho certo, a memória que faz falta e quanto vale a pena gastar para o uso que lhe vais dar.
Começa pela pergunta certa. Para que é o tablet?
Antes de comparares marcas, decide o que vais fazer com ele na maior parte do tempo. Quase todas as más compras nascem de saltar este passo.
- Ver séries, navegar e ler. Precisas de um bom ecrã e de boas colunas, não de potência. Um modelo intermédio chega e sobra.
- Estudar e tomar notas. Precisas de um ecrã de 10 polegadas para cima, suporte a caneta e memória que chegue para teres PDFs e aplicações abertos ao mesmo tempo.
- Trabalhar a sério e substituir o portátil. Aqui a conversa é outra, 12 polegadas ou mais, teclado e 8 GB de RAM. Antes de avançares, lê a última secção, porque muitas vezes a resposta certa é mesmo um portátil.
- Desenhar e editar. O que interessa é a caneta com sensibilidade à pressão e um ecrã com boa taxa de atualização, mais do que o número de gigabytes.
- Dar a uma criança. Existem modelos feitos para isso, com capa de borracha e controlo parental configurado de origem. Não compres um topo de gama para acabar com sumo derramado em cima.
O tamanho do ecrã decide mais do que a marca
É a escolha com mais impacto no dia a dia e também a que menos gente pondera. Um tablet de 8 polegadas e um de 13 são equipamentos diferentes, mesmo quando as fichas técnicas são parecidas.
| Tamanho | Melhor para | A ter em conta |
|---|---|---|
| 8 a 9 polegadas | Ler, viajar, crianças, segurar com uma mão | Pouco espaço para escrever ou trabalhar |
| 10 a 11 polegadas | O tamanho universal, estudo, streaming, uso geral | É a faixa com mais escolha e melhor preço |
| 12 a 14 polegadas | Substituir portátil, dividir o ecrã, desenhar | Pesado para segurar na mão muito tempo |
Conselho prático. Se não tens a certeza, fica nas 10 a 11 polegadas. É a faixa com mais oferta, os preços são melhores e serve bem quase toda a gente.
Memória e armazenamento, o erro que sai mais caro
A RAM decide a fluidez, o armazenamento decide o que cabe lá dentro. Em 2026, o mínimo aceitável são 4 GB de RAM com 64 GB, e mesmo assim só para consumo simples. Compra-se melhor com 6 a 8 GB de RAM e 128 ou 256 GB de armazenamento. É a partir daí que o tablet aguenta várias aplicações abertas sem ter de recarregar tudo de cada vez que trocas de ecrã.
Verifica sempre se aceita cartão microSD. Um cartão de 128 GB custa uma fração do que custa subir para a versão com mais armazenamento e resolve o espaço para filmes e fotografias. Para aplicações e jogos, o que conta é o armazenamento interno.
WiFi ou 4G e 5G?
A versão com ligação móvel do mesmo modelo custa tipicamente mais 40 a 60 euros e obriga a ter um cartão com dados.
Para a maior parte das pessoas, a versão WiFi é a escolha certa. Partilhas a ligação do telemóvel quando sais e guardas esse dinheiro para mais memória ou para um teclado. A ligação móvel compensa em três casos concretos. Num tablet de criança que precisa de estar sempre contactável, em trabalho de campo sem rede fiável, e para quem usa o tablet como equipamento principal em viagem.
Três famílias que passam despercebidas
Tablets para crianças
Trazem capa protetora, ecrã mais resistente e controlo parental já configurado. Custam a partir de cerca de 100 euros, bem menos do que sai partir um tablet normal.
Tablets robustos
Têm certificação IP68 e resistem a quedas, pó e água. Fazem sentido em obra, oficina, agricultura e trabalho ao ar livre. Custam mais do que um tablet comum com a mesma ficha técnica, e a diferença paga-se logo na primeira queda.
Ecrãs tipo papel
Alguns modelos usam painéis que imitam papel e cansam muito menos a vista. Se passas horas a ler ou a rever documentos, a diferença nota-se.
Quanto gastar, com números do nosso catálogo
Temos perto de 190 tablets em stock, de marcas como Samsung, Xiaomi, Apple, Lenovo, OnePlus, TCL, Honor, Huawei, Blackview, Ulefone e Oukitel. Esta é a distribuição real por escalão de preço.
| Orçamento | O que esperar | Para quem |
|---|---|---|
| Até 150 € | Ecrãs de 8 a 10 polegadas, 3 a 4 GB de RAM, modelos infantis | Crianças, leitura, segundo equipamento em casa |
| 150 a 300 € | 6 a 8 GB de RAM, 128 a 256 GB, ecrãs de 10 a 13 polegadas | A maioria das pessoas compra bem nesta faixa |
| 300 a 500 € | Ecrãs mais rápidos e brilhantes, caneta incluída em alguns modelos | Estudo intenso, notas, desenho, uso diário |
| 500 a 800 € | Gama alta Android e o iPad de entrada | Quem quer um equipamento para cinco ou seis anos |
| Acima de 800 € | Topo de gama com ecrãs de 13 e 14 polegadas | Trabalho profissional e substituição de portátil |
Quase metade do que temos em stock está entre os 150 e os 300 euros, e não é por acaso. É a faixa em que cada euro rende mais. Acima dos 500 continuas a ganhar qualidade, mas o salto já não se nota tanto no uso do dia a dia.
Os acessórios que fazem mesmo diferença
- Capa com teclado. É o acessório com melhor retorno de todos. Com ela passas a escrever a sério, em vez de andares aos toques no ecrã.
- Caneta. Obrigatória se vais tomar notas ou desenhar. Confirma primeiro se o teu modelo suporta caneta ativa, porque nem todos suportam.
- Película de vidro. Custa poucos euros e evita a reparação mais cara que um tablet pode ter.
- Carregador adequado. Um tablet tem uma bateria muito maior do que a de um telemóvel e agradece um carregador com mais watts. Explicámos como escolher no guia de carregadores e cabos.
Podes ver tudo em acessórios para tablet.
Vale a pena comprar um tablet recondicionado?
Vale, com uma ressalva honesta. Em tablets, a oferta de recondicionados é bem menor do que em telemóveis e portáteis, e os modelos disponíveis são de gerações mais antigas, com preços a começar perto dos 30 euros. Servem muito bem para uma criança, para a cozinha ou para leitura, mas não esperes encontrar o topo de gama do ano passado.
Se o objetivo é esticar o orçamento ao máximo, é nos telemóveis e nos portáteis que os recondicionados poupam mais. Em qualquer caso, todos os nossos recondicionados levam 5 anos de garantia, bem acima do que a lei obriga, e bateria entre 95% e 100% de saúde. Se não sabes o que distingue as condições, explicámos tudo no artigo sobre Grade A, B ou C.
Erros que vemos repetir-se
- Comprar um tablet de 90 euros para trabalhar. Não corre bem e o dinheiro fica perdido.
- Escolher 13 polegadas para ler na cama. Passada meia hora, os braços reclamam.
- Pagar a versão com 4G e nunca lá chegar a pôr um cartão. Acontece mais do que parece.
- Comprar um tablet quando o que faz falta é um portátil. Se passas o dia a escrever, com folhas de cálculo e várias janelas abertas, o portátil resolve melhor e por menos dinheiro.
Perguntas frequentes
Um tablet substitui mesmo um portátil?
Substitui para escrever emails, ver documentos, fazer apresentações e navegar. Não substitui quando há muitas janelas abertas ao mesmo tempo, software específico ou horas seguidas de escrita. Se estás indeciso, vê o nosso guia de portáteis antes de decidires.
Quantos anos dura um tablet?
Com uso normal, quatro a seis anos sem problemas. O que costuma acabar primeiro é o suporte de software, não o equipamento. A bateria vai perdendo capacidade com os ciclos de carga e ao fim de três ou quatro anos nota-se, mas na maioria dos modelos pode ser substituída.
Devo levar a versão com mais armazenamento?
Se o modelo aceita cartão microSD, não vale a pena. Se não aceita, e é o caso dos iPads, sobe uma versão, porque mais tarde já não há volta a dar.
Qual a diferença entre um tablet Android e um iPad?
O iPad tem mais anos de atualizações garantidas e melhor oferta de aplicações para desenho e edição. O Android dá muito mais escolha por menos dinheiro, aceita cartão de memória em vários modelos e liga-se melhor a um telemóvel Android. Para consumo e estudo, a diferença prática é bem menor do que o preço sugere.
Reparam tablets?
Reparamos. Ecrãs, baterias, conectores e diagnóstico. Vê o serviço em reparações e diz-nos qual é o modelo e o que se passa.
Em resumo
Decide primeiro para que serve, depois escolhe o tamanho e só no fim compara marcas e preços. Se tiveres dúvidas, fica nas 10 a 11 polegadas, procura 6 a 8 GB de RAM com 128 GB ou mais, e não pagues a ligação móvel sem precisares mesmo dela. É entre os 150 e os 300 euros que se compra melhor.
Podes ver todos os modelos disponíveis em tablets, os usados em tablets recondicionados e a gama completa de equipamentos recondicionados com 5 anos de garantia. Se estás a preparar o ano letivo, o artigo sobre tecnologia para o regresso às aulas ajuda a fechar a lista toda.
