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AYN Thor, a consola portátil do momento

Toptech · 27 de Agosto de 2026 · 7 min de leitura
Consola portátil AYN Thor preta aberta, com o ecrã AMOLED de 6 polegadas em cima e o ecrã secundário em baixo

De vez em quando aparece um aparelho que toda a gente do meio quer ter nas mãos. Este ano foi este.

A AYN Thor abre como um livro, tem dois ecrãs AMOLED e leva lá dentro o mesmo processador que equipou os telemóveis de topo de gama. Parece uma Nintendo 3DS XL um pouco mais grossa. É a peça mais ambiciosa que passou pela nossa prateleira e vale a pena perceber porquê.

Os dois ecrãs, que são o argumento todo

Quase todas as portáteis do mercado têm um ecrã. A Thor tem dois, e ambos são AMOLED a sério, não painéis de recurso.

O principal tem 6 polegadas, resolução de 1080 por 1920, taxa de atualização de 120 Hz e 650 nits de brilho máximo. O secundário tem 3,92 polegadas, 1080 por 1240 e 60 Hz, com 550 nits. Os dois anunciam contraste de 100 mil para um e cobertura acima dos 150% de sRGB.

Traduzido para o que se vê, os pretos são pretos de verdade e as cores saltam. Quem vem de um ecrã LCD de uma portátil barata nota a diferença no primeiro segundo, sem precisar de comparar lado a lado.

Detalhe que quase ninguém refere e que interessa. Os dois ecrãs são táteis por capacitância, como um telemóvel moderno. Na Nintendo DS o ecrã de baixo era resistivo, respondia a pressão e por isso é que existia a caneta. Aqui não precisas dela, basta o dedo.

AYN Thor preta aberta, a mostrar o ecrã AMOLED de 6 polegadas em cima e o ecrã secundário com os comandos em baixo

O que está lá dentro

O processador é um Snapdragon 8 Gen 2, com oito núcleos até 3,2 GHz e GPU Adreno 740 a 680 MHz. É silício de topo de gama de telemóvel, não é um chip de tablet barato reaproveitado.

Acompanham 12 GB de memória LPDDR5X e 256 GB de armazenamento, com ranhura para cartão microSD se quiseres esticar o espaço. O sistema é Android 13, com Play Store e serviços Google como em qualquer telemóvel.

O fabricante tem cinco configurações e quatro cores. A versão de entrada usa um Snapdragon 865, mais modesto, e as restantes usam o 8 Gen 2. A memória vai até aos 16 GB e o armazenamento até 1 TB. A que temos em stock é a intermédia, com o 8 Gen 2, 12 GB e 256 GB, que é o ponto onde a relação entre preço e desempenho faz mais sentido.

As quatro cores da AYN Thor lado a lado, preto, branco, cinzento e roxo transparente

O botão AYN, e o que ele abre

Há um botão dedicado que abre um painel próprio da marca por cima do que estiveres a fazer.

Lá dentro escolhes perfis de desempenho, controlas a iluminação e vês em tempo real a velocidade da ventoinha, as imagens por segundo e o estado do hardware. É o tipo de controlo que normalmente só existe em computadores de jogos, metido numa máquina que cabe na mão.

Painel de controlo da AYN Thor no ecrã de baixo, a mostrar imagens por segundo, temperatura e velocidade da ventoinha, com o jogo no ecrã de cima

Duas coisas ao mesmo tempo

A parte que surpreende quem experimenta não é a nostalgia, é o multitarefa.

Podes ter um jogo a correr no ecrã de cima e um vídeo, um podcast ou o navegador aberto no de baixo. Instalas as aplicações normalmente pela Play Store e escolhes em que ecrã queres que abram. Quem já tentou fazer isto num telemóvel a dividir o ecrã ao meio sabe a diferença que faz ter mesmo dois painéis separados.

AYN Thor segurada com as duas mãos, com um vídeo a passar no ecrã de cima e um jogo a correr no ecrã de baixo

Bateria, ventoinha e carregamento

A bateria é de 6000 mAh, mais do que a de quase todos os telemóveis, e carrega a 27 W.

Na prática, e segundo quem já a testou a fundo, dá cerca de dez horas com jogos leves e à volta de seis com o que exige mais da máquina. Baixar o ecrã de 120 Hz para 60 Hz estica esse número de forma notória.

E tem ventoinha. Refrigeração ativa numa portátil deste tamanho é raro e é o que permite manter o desempenho em vez de o processador ir abrandando à medida que aquece. Fica silenciosa na maior parte do tempo e só se dá por ela nos momentos mais exigentes, altura em que o som do próprio jogo já a tapa.

Ligações, e o que faz ligada à televisão

Traz WiFi 7 e Bluetooth 5.3, portanto está preparada para redes que a maioria das casas ainda nem tem.

A saída de vídeo por USB-C envia 4K a 60 imagens por segundo. Ligas um cabo à televisão, juntas um comando sem fios e a portátil deixa de ser portátil. É uma daquelas funcionalidades que parece detalhe na ficha técnica e depois passa a ser a forma como a usas metade do tempo.

O corpo, e o pormenor de fechar

Pesa 380 gramas e mede 150 por 94 por 25,6 milímetros. São apenas 50 gramas a mais do que uma 3DS XL, o que é pouco para o que traz dentro.

Dobra ao meio, portanto os dois ecrãs viajam virados um para o outro e protegidos. Vai na mochila sem capa e sai de lá sem riscos.

Dimensões da AYN Thor, 150 por 94 milímetros e 25,6 milímetros de espessura, com 380 gramas de peso

E fecha como fechavam as antigas. Baixas a tampa, a máquina adormece, abres e continuas exatamente onde estavas. Parece pequeno. Não é. É a diferença entre pegar nela cinco minutos numa fila e não pegar de todo.

A construção é uma das coisas que mais se elogia. O ecrã não abana como abanava o das Nintendo antigas, os botões têm a resistência certa e os analógicos são encastrados e precisos.

O que não é bom

As colunas. O som sai fino e é o ponto fraco claro da máquina.

Não chega para estragar nada, porque quem usa uma destas acaba quase sempre de auscultadores, mas convém saber antes de comprar em vez de descobrir depois. Se quiseres resolver isso, temos o guia dos auriculares feito.

Ficha técnica

Componente Especificação
Ecrã principal 6″ AMOLED, 120 Hz
Ecrã secundário 3,92″ AMOLED, 60 Hz
Processador Snapdragon 8 Gen 2
Gráficos Adreno 740
Memória 12 GB LPDDR5X
Armazenamento 256 GB e microSD
Bateria 6000 mAh, 27 W
Sistema Android 13
Rede WiFi 7, BT 5.3
Vídeo USB-C, 4K a 60 fps
Peso 380 gramas

Para quem faz sentido

Faz sentido para quem quer o melhor que existe neste formato e não está disposto a fazer concessões no ecrã. Faz sentido para quem gosta de aparelhos bem construídos e reconhece quando um produto foi pensado em vez de montado.

Não faz sentido para quem quer gastar pouco. Há máquinas por 90 euros que servem muita gente muito bem, e temos várias, como mostrámos no guia das consolas portáteis. A Thor não compete com essas. Está noutro campeonato e cobra por isso.

Comprar uma marca destas em Portugal

A AYN é uma marca pequena, de Hong Kong, e não tem rede de assistência cá. Quem compra estas máquinas costuma comprá-las diretamente à fábrica, e é aí que a coisa se complica.

Se avariar, o aparelho volta para trás. Portes de ida, semanas de espera, e a garantia a ser tratada em inglês com alguém do outro lado do mundo. Se a alfândega decidir cobrar, o desconto que julgavas ter desaparece de uma vez.

Há um número que resume isto melhor do que qualquer argumento. O fabricante dá um ano de garantia. Nós damos três.

Ao comprares connosco tens fatura portuguesa, essa garantia de três anos e uma oficina que responde. Quando alguma coisa corre mal, falas com uma pessoa em Barcelos e não com um formulário. Numa máquina de 600 euros isso deixa de ser um extra e passa a ser metade da decisão.

Preço e disponibilidade

A AYN Thor Preto de 12 GB com 256 GB está a 609,99 euros e temos oito unidades disponíveis. Envio para todo o país e garantia de três anos, que é acima do mínimo legal.

As restantes configurações, com mais memória e mais armazenamento, conseguimos trazer por encomenda. Se for essa a que queres, fala connosco e tratamos disso.

Se preferires vê-la ao vivo antes de decidir, a loja de Barcelos está aberta de terça a sábado, das 16h às 20h. Uma ficha técnica impressiona no papel. Dois ecrãs AMOLED acesos à tua frente impressionam de outra maneira.

Podes ver o resto da prateleira em gaming.

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