Uma consola portátil retro custa entre 55 euros e mais de 1.000. É uma diferença de vinte vezes para máquinas que, vistas de longe, fazem todas o mesmo. Um ecrã, dois analógicos, jogos antigos.
A diferença está no que cada uma consegue correr. E é exatamente aí que quase toda a gente se engana na compra.
O que estas consolas são, e o que não são
São computadores pequenos com comandos colados aos lados. Correm emuladores, que são programas capazes de imitar o funcionamento de consolas antigas. Nada disto é a Nintendo, a Sony ou a Microsoft a relançar hardware. São marcas como a Anbernic, a Trimui, a Powkiddy, a Retroid, a Ayaneo e a AYN, com ciclos de lançamento rápidos e nomes que mudam de mês para mês.
Há uma consequência prática que convém perceber antes de gastar dinheiro. A consola não vem com jogos. Vem com a capacidade de os correr, e mais nada.
A pergunta que decide a compra
Antes de olhares para preços, responde a uma coisa só. Que consolas queres emular?
Toda a gama existe por causa desta resposta. Emular uma Game Boy é trivial e faz-se num aparelho de 55 euros. Emular uma PlayStation 2 exige um processador que custa dez vezes mais. Quem compra sem saber isto acaba com uma de duas frustrações, ou pagou de mais para jogar Pokémon, ou pagou de menos e o jogo que queria dá aos solavancos.
Até à PlayStation 1
NES, SNES, Mega Drive, Game Boy nas três gerações, Neo Geo, arcade clássico e PS1. É o território das máquinas mais baratas e é maior do que parece. São milhares de jogos e a esmagadora maioria da nostalgia real de quem tem hoje entre trinta e cinquenta anos.
Nintendo 64, PSP e Dreamcast
Aqui começa a exigir. Estas três correm bem a partir da gama média, com o cuidado de que alguns títulos de N64 continuam a ser problemáticos em qualquer emulador, por razões que são do próprio jogo e não da consola que compraste.
GameCube, PS2 e Wii
Precisas de um processador de telemóvel decente, do tipo que aparece nas consolas acima dos 200 e poucos euros. Correm, e correm bem. Mas não esperes que corram todos os títulos sem exceção.
Switch e acima
É o topo da gama e é onde a promessa se descola mais depressa da realidade. Existem máquinas que fazem isso. Custam o que custa um portátil e não é raro exigirem configuração jogo a jogo. Se a tua ideia era comprar uma caixinha e jogar, este escalão não é para ti.
Quanto gastar, por escalão
| Orçamento | Corre bem | Exemplo |
|---|---|---|
| Até 100 € | Até à PS1 | Trimui Brick |
| 100 a 200 € | N64 e PSP | Anbernic RG405V |
| 200 a 350 € | GameCube e PS2 | Retroid Pocket 5 |
| Acima de 400 € | Wii e Switch | AYN Odin 3 Pro |
Os preços são os que temos hoje em stock. A Powkiddy RGB20S abre a gama nos 54,99 euros, a Anbernic RG35XX Pro e a Trimui Brick ficam nos 89,99, a RG405V nos 179,99, a Retroid Pocket 5 nos 304,99 e o topo da nossa prateleira, a Ayaneo 3 com Ryzen 7, chega aos 1.164,99. Podes ver a lista completa em Gaming.
Linux ou Android
É a divisão mais útil de todas e quase nunca aparece nas fichas de produto.
As consolas mais baratas correm Linux. Ligas e estás dentro do menu de jogos em três segundos. Não há notificações, não há loja de aplicações, não há distrações. Arranca depressa, gasta pouca bateria e faz uma coisa só. Para muita gente é exatamente isso que se quer.
A partir dos cento e cinquenta euros aparece o Android. Ganhas emuladores atualizados com frequência, jogos de telemóvel, serviços de jogo na nuvem e a possibilidade de instalar o que quiseres. Pagas isso em arranque mais lento, mais bateria gasta e um menu que é preciso configurar para não parecer um telemóvel com botões.
No topo há máquinas com Windows. Aí já não estás a comprar uma consola retro, estás a comprar um computador portátil pequeno com comandos. Outra categoria, outro preço, outra paciência.
O ecrã, e o formato que ninguém olha
Este é o erro caro. As pessoas comparam polegadas e ignoram o formato.
Os jogos até à PlayStation 1 foram feitos num formato quadrado, quatro para três. Se puseres esses jogos num ecrã largo, ou ficam com duas barras pretas enormes dos lados, ou ficam esticados e deformados. Quem compra uma consola de ecrã largo para jogar Game Boy vai jogar numa fatia estreita ao centro.
Ao contrário, para PSP e para jogos de Android, o ecrã largo é o correto e o quadrado é que fica mal aproveitado.
Portanto a regra é esta. Nostalgia até à PS1, escolhe quatro para três. PSP, emulação moderna e Android, escolhe largo. Se queres os dois, há modelos de ecrã quadrado que fazem um compromisso honesto entre as duas coisas. Vale a mesma lógica de aproveitamento de área que explicámos no guia dos tablets.
O caso especial dos dois ecrãs
Falta falar de uma máquina que resolve um problema que mais nenhuma resolve. A Nintendo DS e a 3DS tinham dois ecrãs, um por cima do outro, e metade do que fazia esses jogos funcionar era isso mesmo. Num ecrã único ficas com duas opções más, empilhar os dois e jogar com tudo pequeno, ou esconder um e perder metade do que se passa.
A AYN Thor tem mesmo dois ecrãs. Emula DS e 3DS como esses jogos foram pensados e ainda dá conta do recado na emulação pesada. Fica nos 609,99 euros na versão de 12 GB com 256 GB e temos oito unidades disponíveis. É a consola mais interessante que nos passou pelas mãos este ano.
Se ficares em dúvida entre esta e qualquer outra do guia, fala connosco. Dizemos o que a máquina faz e também o que não faz.
Analógicos, e o defeito que aparece ao sexto mês
Os analógicos comuns funcionam com sensores que roçam uns nos outros e se gastam com o uso. Ao fim de uns meses o personagem começa a andar sozinho sem ninguém tocar em nada. Chama-se drift e é a avaria número um destas máquinas, tal como é dos comandos de consola normais.
Os analógicos de efeito Hall usam ímanes e não têm contacto físico. Não se gastam. Se a ficha do produto disser efeito Hall, é um argumento a sério e não marketing. Se não disser, parte do princípio de que não tem.
O mesmo vale para os comandos que vendemos à parte, e há modelos com efeito Hall a partir dos 34,99 euros em acessórios gaming.
Autonomia
As máquinas de Linux fazem seis a dez horas com facilidade, porque estão a correr jogos de trinta anos em processadores modernos. As de Android ficam entre três e cinco. As de topo, a emular PS2 ou acima, podem não chegar às três.
Carregam por USB-C, todas. Mas carregam devagar, e ligar um carregador rápido de telemóvel não muda nada, porque o limite está na consola e não na tomada. Se isso te interessa perceber melhor, escrevemos sobre carregadores e cabos noutro artigo.
O cartão de memória não vem incluído
Repara nos nomes dos produtos. Muitos dizem, literalmente, sem cartão SD. Não é descuido de tradução. É a verdade.
Estas consolas arrancam a partir de um cartão microSD e sem ele não fazem absolutamente nada. Chegam a casa, ligam, e não acontece nada. Todos os meses aparece alguém convencido de que a consola veio avariada.
E há um segundo problema, esse mais chato. Cartões muito baratos de marca desconhecida são a causa mais comum de bloqueios a meio do jogo e de jogos guardados que desaparecem. Muitos anunciam capacidade que não têm. Um cartão de marca de 64 GB custa 29,99 euros na nossa loja e resolve o assunto de vez. Poupar dez euros aqui é a pior poupança da compra toda.
Os jogos, e a parte legal
Convém ser direto, porque quase ninguém é. O emulador é legal. O jogo é que tem dono.
Em Portugal, fazer cópia de um jogo que compraste, para uso próprio, é uma coisa. Descarregar da internet jogos que nunca compraste é outra, e essa é ilegal. Nós vendemos a consola, não vendemos jogos antigos nem os fornecemos com o equipamento. O que a máquina faz depois disso é responsabilidade de quem a usa.
Dito isto, há mais jogos legais e gratuitos para estas consolas do que a maioria das pessoas imagina, entre produções independentes feitas de propósito para hardware antigo e títulos que os próprios criadores libertaram.
Três erros que vemos ao balcão
O primeiro é comprar a mais cara a pensar que é a melhor. Se só queres jogos a duas dimensões, uma consola de 90 euros faz isso melhor do que uma de 500, porque arranca mais depressa, dura mais horas e cabe no bolso.
O segundo é comprar a mais barata a pensar que corre tudo. As listas de compatibilidade que aparecem nos anúncios são otimistas. Correr não é o mesmo que correr bem.
O terceiro é esquecer a proteção. São aparelhos com ecrã descoberto que andam na mochila. Uma capa custa 24,99 euros. Um ecrã riscado não se resolve.
Perguntas frequentes
Dá para jogar jogos de Nintendo Switch?
Nos modelos de topo, alguns títulos sim, com configuração e sem garantia de que corram bem. Nos modelos abaixo dos trezentos euros, não. Desconfia de quem prometer o contrário.
Precisa de internet para funcionar?
Não. Depois de configurada, funciona sem ligação nenhuma. A ligação só serve para atualizar o sistema, transferir ficheiros ou, nos modelos com Android, para jogo na nuvem.
Serve para uma criança?
Serve, e costuma resultar melhor do que um telemóvel, porque não tem redes sociais nem loja de aplicações. Nos modelos de Linux ainda mais, porque não há nada para instalar. Escolhe um modelo de gama de entrada e uma capa.
Qual é a garantia?
Três anos em todos os produtos novos vendidos pela Toptech, acima do mínimo legal. Nos recondicionados são cinco. Se avariar, a reparação é tratada por nós e podes ver o processo na página de reparações.
Vale a pena comprar usada?
Nesta categoria, raramente. Os analógicos gastam-se, as baterias também, e o preço de segunda mão fica quase sempre demasiado perto do preço de nova. Onde o recondicionado compensa mesmo é noutras famílias de produto, como mostrámos no artigo sobre telemóveis recondicionados.
Como escolher, resumido
Define a consola mais exigente que queres emular. Escolhe o formato de ecrã de acordo com a época dos jogos. Confirma se tem analógicos de efeito Hall. Soma um cartão de marca e uma capa ao orçamento. E resiste a pagar por escalões de emulação que nunca vais usar.
Temos trinta modelos em stock, dos 54,99 euros aos 1.164,99, com envio para todo o país e garantia de três anos. Vê a prateleira completa em top-tech.pt/loja/gaming ou aparece na loja de Barcelos, de terça a sábado das 16h às 20h, para experimentares os botões antes de decidires.
