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Como escolher um cartão de memória em 2026

Toptech · 4 de Setembro de 2026 · 10 min de leitura
Cartão SD SanDisk Extreme de 32 GB pousado numa mesa branca, com as marcações U3 e Classe 10 visíveis

Um cartão de memória é das compras mais fáceis de fazer mal. São todos pequenos, são todos pretos, dizem todos 128 GB na embalagem, e entre o mais barato e o mais caro da mesma capacidade a diferença de preço chega a ser de três vezes. A tentação é agarrar no mais barato e seguir viagem.

Às vezes corre bem. Outras vezes a dashcam deixa de gravar ao fim de dois meses sem avisar ninguém, a consola demora oito segundos a abrir um jogo que devia abrir em dois, ou o cartão de 512 GB que custou nove euros começa a comer fotografias a partir da número trezentas.

A diferença entre um cartão que presta e um que não presta está impressa no próprio plástico, em três ou quatro símbolos que quase ninguém lê. Vamos a eles.

As siglas que interessam, e as que podes ignorar

Um cartão traz normalmente entre quatro e seis marcações. Duas delas dizem a mesma coisa por razões históricas, e há uma que é a mais importante de todas e é a que costuma vir mais pequena.

Cartão microSD SanDisk Extreme de 32 GB com as marcações V30, U3 e A1 impressas no corpo

Classe de velocidade, o número dentro do U e do V

Estas marcações garantem uma velocidade mínima de escrita, que é o que impede um vídeo de falhar a meio da gravação.

  • C10, U1 e V10 querem dizer exatamente a mesma coisa, 10 MB por segundo no mínimo. Três símbolos, uma garantia. É herança de normas que se foram somando em vez de se substituírem.
  • U3 e V30 garantem 30 MB por segundo. É o patamar para vídeo 4K.
  • V60 e V90 garantem 60 e 90 MB por segundo. Território de câmaras profissionais, e o preço acompanha.

Classe de aplicação, o A que muda tudo

Aqui está o símbolo que decide se o cartão parece rápido no dia a dia. O A1 e o A2 não medem MB por segundo, medem quantas operações pequenas o cartão consegue fazer por segundo. Um A1 garante 1500 leituras e 500 escritas aleatórias por segundo. Um A2 sobe para 4000 e 2000.

Porque é que isto importa mais do que parece. Abrir uma aplicação, carregar um mapa de um jogo ou arrancar o sistema de uma consola não é ler um ficheiro grande de uma ponta à outra, é ler milhares de bocadinhos espalhados. Um cartão com V30 e sem A nenhum pode gravar vídeo lindamente e ser lento a doer a correr um jogo.

A regra prática cabe numa linha. Se o cartão vai guardar vídeo, olha para o V. Se vai correr aplicações, jogos ou o sistema de um equipamento, olha para o A.

O número grande da embalagem é o menos útil

Aquele 150 MB/s em letras garrafais é a velocidade de leitura sequencial, medida em condições ideais. É o número mais bonito que o fabricante encontrou, e por isso é o que vai para a frente da caixa.

A velocidade de escrita costuma ser bastante mais baixa e raramente vem impressa. As operações aleatórias, que são as que sentes, quase nunca aparecem. Por isso é que as classes valem mais do que o número grande, elas são mínimos garantidos e não máximos de laboratório.

SDHC ou SDXC, e porque é que o equipamento antigo não lê o cartão novo

Esta apanha muita gente e não tem nada que ver com velocidade.

  • SDHC vai de 4 a 32 GB e vem formatado em FAT32.
  • SDXC vai de 64 GB a 2 TB e usa exFAT.

São formatos diferentes. Uma câmara ou um leitor com uns anos que só saiba ler SDHC não vai reconhecer um cartão de 64 GB, mesmo que ele encaixe na perfeição e mesmo que o cartão esteja impecável. Não é defeito. É o equipamento a não falar a língua.

Se o manual do teu aparelho diz até 32 GB, é isso mesmo que quer dizer.

Cartão microSDXC SanDisk Ultra de 128 GB ao lado do adaptador para SD de tamanho normal

Que cartão para que uso

Uso O que procurar Capacidade sensata
Telemóvel ou tablet Android A1 ou A2, U1 chega 64 a 128 GB
Consola portátil retro A1 ou A2, leitura alta 64 a 256 GB
Nintendo Switch original U3 ou A1, marca conhecida 128 a 256 GB
Nintendo Switch 2 microSD Express, com EX no corpo 256 GB ou mais
Dashcam ou videovigilância Alta resistência, U3 ou V30 32 a 128 GB
Fotografia em rajada V30 ou acima, formato SD 64 a 128 GB
Vídeo 4K V30 no mínimo 128 GB ou mais

Nas consolas portáteis retro o cartão não é acessório, é o sistema

Repara nos nomes dos produtos quando andares a ver consolas portáteis retro. Muitos dizem, literalmente, sem cartão SD. Não é descuido de quem escreveu a ficha. É um aviso a sério.

Estas máquinas arrancam a partir do cartão. O sistema operativo vive lá, os emuladores vivem lá, os jogos vivem lá. Sem cartão a consola liga e não faz absolutamente nada. Uma Trimui Brick a 89,99 ou uma Trimui Smart Pro a 99,99 chegam a casa e ficam paradas até o cartão entrar.

Consola portátil retro Trimui Brick branca, vendida sem cartão SD, com o menu de emuladores no ecrã

Aqui o A2 compensa mesmo. É a diferença entre uma lista de jogos que desliza e uma que engasga a carregar as capas.

Switch e Switch 2 não levam o mesmo cartão

Esta é a armadilha mais cara de 2026 e vale a pena ler duas vezes.

A Switch original e a Switch OLED trabalham com microSD normal, e qualquer cartão decente de marca conhecida serve. A Switch 2 não. A consola nova só aceita microSD Express, que é uma norma diferente, mais rápida, e que se identifica por um EX impresso no corpo do cartão.

Um microSD vulgar entra fisicamente na Switch 2 e não serve para jogos nem para dados de jogo. Um cartão que já andou numa Switch antiga também não passa a servir por ser mudado de consola.

Cartão microSDXC SanDisk de 128 GB licenciado para a Nintendo Switch original, com o cogumelo desenhado

Por isso, atenção a uma coisa. Os cartões vendidos com a menção para Nintendo Switch, incluindo os licenciados com o cogumelo desenhado, são quase todos da geração anterior. Se a consola é a Switch 2, procura o EX. Se não tem EX, não é o cartão.

Dashcams e câmaras de vigilância pedem cartões de alta resistência

Uma dashcam grava em ciclo. Escreve por cima do que já lá estava, o dia todo, todos os dias. Um cartão normal foi pensado para umas centenas de fotografias por mês, não para reescrita permanente, e um uso destes gasta-o a uma velocidade que nenhum fabricante prevê na garantia.

Existem cartões de alta resistência feitos precisamente para isto, com memória preparada para muito mais ciclos de escrita. Custam um pouco mais e duram muito mais.

Fica o aviso de balcão, que é o que interessa. Numa dashcam, um cartão gasto falha em silêncio. A câmara continua acesa, a luz continua a piscar, e tu só descobres que não gravou nada no dia em que precisas do vídeo. Se andas com uma dashcam no carro, tira o cartão de três em três meses e confirma que os ficheiros abrem mesmo.

Os cartões falsos são um problema a sério

Há muito cartão à venda com a memória mentida. O truque é antigo e continua a funcionar. Pega-se num cartão de 32 GB, reescreve-se o controlador para ele dizer ao computador que tem 512 GB, e imprime-se uma etiqueta bonita.

O cartão parece funcionar. Copias ficheiros e ele aceita tudo. O problema aparece depois dos 32 GB reais, quando tudo o que escreves passa a cair num buraco. Os ficheiros ficam listados e vazios, ou corrompidos, e não há aviso nenhum.

Duas defesas simples. A primeira é aritmética. Se um cartão de 512 GB de marca custa nove euros, não é um cartão de 512 GB. A segunda é testar. Há programas gratuitos que enchem o cartão de dados e depois verificam se lá estão mesmo, e demoram umas horas a correr, mas é uma tarde bem gasta antes de confiares nele com as fotografias de férias.

Quanto se paga por um cartão que presta

Na nossa prateleira os microSD de marca começam nos 29,99 em 32 e 64 GB, os 128 GB andam entre os 39,99 e os 49,99, e um 256 GB fica nos 64,99. Podes ver a gama toda em pendrives e cartões de memória.

Conselho honesto sobre capacidade. Comprar o maior cartão que o orçamento permite nem sempre é boa ideia, porque um cartão é um único ponto de falha. Dois cartões de 128 GB protegem-te melhor do que um de 256 GB, já que quando um se perde ou se estraga só levas metade do prejuízo. Nas consolas retro é ao contrário, aí um cartão grande faz sentido porque a biblioteca vive toda no mesmo sítio.

Perguntas frequentes

Posso usar um microSD com adaptador numa máquina fotográfica?

Podes, e funciona. O adaptador é só um encaixe, não muda a velocidade nem a capacidade. Para fotografia a sério prefere-se um cartão SD de tamanho normal, porque tem menos um contacto no caminho e é bastante mais difícil de perder.

Ter um cartão maior torna o telemóvel mais lento?

O tamanho não. A classe sim. Um cartão sem A1 nem A2 a guardar aplicações deixa o telemóvel visivelmente mais lento, e a culpa é da classe e não dos gigabytes. Se o teu tablet ou telemóvel aceita cartão, escolhe um com A1 no mínimo.

Devo formatar o cartão no computador ou no equipamento?

Sempre no equipamento que o vai usar. A câmara, a consola ou o telemóvel formatam da maneira que lhes serve, com o alinhamento certo. Formatar no computador funciona quase sempre e de vez em quando dá problemas esquisitos que ninguém consegue explicar.

O cartão deixou de ser reconhecido, tem salvação?

Primeiro testa noutro leitor e noutro equipamento antes de assumir o pior, porque muitas vezes o problema está no leitor e não no cartão. Se o cartão tem menos de dois anos e é de marca, vê a garantia antes de o deitar fora. E se aquilo que lá está dentro é insubstituível, não continues a escrever no cartão, cada tentativa nova reduz as hipóteses de recuperar seja o que for.

Em resumo

Olha para o A antes de olhares para o número grande. Confirma se o teu equipamento lê SDXC antes de comprares 64 GB ou mais. Se é para uma Switch 2, procura o EX. Se é para uma dashcam, procura alta resistência. E desconfia de qualquer preço bom demais, porque em cartões de memória o barato sai mesmo caro, e sai sem avisar.

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