Saltar para o conteúdo

Como escolher um volante para jogos de corridas

Toptech · 31 de Agosto de 2026 · 9 min de leitura
Mãos a segurar um volante de simulação de corridas com botões de PlayStation

Há uma compra que corre mal com regularidade nesta categoria, e quase nunca é por o produto ser mau. É por não ser aquilo que a pessoa julga que é. Vários dos volantes mais caros do mercado não são volantes. São aros. Só a parte que se agarra com as mãos, sem nada que gere força, e sozinhos não fazem absolutamente nada.

Isso não vem escrito na frente da caixa. Vem no meio da ficha técnica, em inglês, ao lado de outras vinte linhas.

Temos 28 peças de simulação em stock, entre volantes, pedaleiras, caixas de velocidades e travões de mão, dos 64,99 euros aos 589,99. A escada é comprida e a diferença entre os degraus não é a que se imagina. Vamos por ordem de importância real.

Começa pela plataforma, porque um volante não serve em tudo

Esta é a decisão que não tem recuperação possível. Um comando ainda se safa a jogar em duas ou três plataformas. Um volante não.

Os volantes de consola trazem um chip de autenticação da própria consola, e é por isso que um modelo de PlayStation não arranca numa Xbox por muito que o cabo encaixe. A Thrustmaster chega a vender praticamente o mesmo volante em duas versões, uma para cada família. O T98 Ferrari existe em GTS para Xbox e PC a 99,99 euros e em GTB para PlayStation e PC a 119,99. O nome muda uma letra. A caixa muda de fotografia. E não são intermutáveis.

No PC a conversa é mais simples. Praticamente tudo funciona, inclusive os volantes de consola, e é a plataforma onde há mais escolha e melhores preços por euro gasto.

Antes de comprares, confirma duas coisas. A consola que tens em casa hoje, e a que pensas ter daqui a dois anos. Se a segunda resposta for diferente da primeira, compra um modelo que cubra PC, porque o PC não te deixa ficar mal.

Os três tipos de força, e o que sentes em cada um

Force feedback é o nome da coisa que faz o volante empurrar de volta contra as tuas mãos. É isso que distingue um volante de um brinquedo, e há três maneiras de o construir.

Engrenagens

É o sistema dos volantes de entrada e de gama média. Barato, robusto, e comunica bem os grandes acontecimentos, como perder a traseira ou subir a um lancil. Tem duas fraquezas. Perde os detalhes pequenos, e faz barulho. Um volante de engrenagens numa curva rápida ronca, e num apartamento à meia-noite isso conta mais do que parece.

Correia

Mais silencioso e mais suave. Sente-se melhor o que o carro está a fazer antes de escorregar, que é precisamente a informação que faz andar mais depressa. O Thrustmaster T300RS GT a 364,99 euros vive neste patamar.

Há ainda um meio termo que a Thrustmaster chama híbrido, com correia e engrenagem a trabalhar juntas. É o que traz o T248R a 269,99 euros, com 3,1 Nm de binário, e é um bom compromisso entre a robustez de um e a suavidade do outro.

Base direta

O motor agarra diretamente no eixo do volante, sem nada pelo meio. É outro mundo. Mede-se em newton metro, e os 5 Nm do Thrustmaster T598 ou os 5,5 Nm do Moza R5 chegam e sobram para uso doméstico. Não precisas de mais. Ninguém precisa de mais, tirando quem corre a sério.

Conjunto Moza R5 com base direta, aro, pedais e grampo de fixação à secretária

O erro caro, comprar um aro sem base

Volto ao princípio, porque é aqui que se perde dinheiro a sério.

Nas gamas altas, a base e o aro vendem-se separados de propósito, para que quem já tem base possa trocar de aro conforme o carro que anda a conduzir. Faz todo o sentido para quem já está dentro do hobby. É uma armadilha para quem está a entrar.

No nosso catálogo, o Moza ESX a 179,99 euros, o GS V2P a 389,99 e o RSV2 a 459,99 são aros. Ficam lindos na fotografia e não funcionam sozinhos. Os conjuntos completos são outros, o Moza R3 a 374,99 e o R5 a 489,99, que já trazem base, aro e pedais na mesma caixa.

Aro Moza ESX visto de frente, sem base, com botões e patilhas no volante

A regra é curta. Se é a tua primeira compra, compra conjunto. Aros só quando já tiveres uma base em casa e souberes exatamente porque queres trocar.

Quanto custa cada patamar

Escalão Preço Força Modelo
Entrada 79,99 € Mola PXN V3 Pro
Consola 164,99 € Híbrida T128
Clássico 249,99 € Engrenagens Logitech G920
Intermédio 269,99 € 3,1 Nm T248R
Correia 364,99 € Correia T300RS GT
Base direta 484,99 € 5 Nm T598
Base direta 489,99 € 5,5 Nm Moza R5

O salto que mais se nota não é o último. É o primeiro, dos 79,99 para os 164,99 euros. Aí passa-se de um volante que se limita a puxar com uma mola para um volante que empurra mesmo contra as tuas mãos. Depois disso a curva achata, e cada degrau custa mais para dar menos.

Volante Thrustmaster T128 preto com a base de pedais incluída

Os pedais decidem mais voltas do que o volante

Toda a gente compara volantes e quase ninguém olha para os pedais. É ao contrário.

Os pedais de entrada travam por posição. Quanto mais fundo carregas, mais trava, e o teu pé não tem nenhuma referência física do que está a fazer. Os pedais com célula de carga travam por pressão, tal como um carro a sério, e o pé aprende a repetir a mesma travagem vezes sem conta. É a diferença entre travar a olhar para o ecrã e travar por sensação.

É também o acessório com melhor retorno por euro nesta prateleira. A Thrustmaster Race Pedals III LC custa 214,99 euros, os Moza SR-P ficam por 194,99, e melhoram mais os teus tempos do que subir de volante pelo mesmo dinheiro.

Pedaleira Thrustmaster Race Pedals III LC com três pedais em base metálica

Onde o vais fixar manda no resto

Um volante médio bem fixo bate um volante caro mal fixo. Sempre.

Os grampos de mesa aguentam bem os modelos até aos 300 euros. A partir daí, e sobretudo com base direta, o volante vai puxar a secretária para cima em cada curva apertada, e uma mesa de aglomerado fino não gosta nada disso. Quem tem base direta acaba quase sempre a aparafusar a coisa a um suporte próprio ou a uma estrutura dedicada. Há um suporte de mesa em aço para as bases Moza a 64,99 euros e vale cada cêntimo.

Vale a pena resolver a secretária antes de subir de volante. Falámos disso no guia de como montar um escritório em casa, e a lógica é exatamente a mesma aqui.

O ecrã também conta. Não pelo tamanho, mas pelo atraso da imagem, que é o que te faz corrigir tarde. O modo de jogo do televisor e a latência do monitor mudam mais a tua condução do que qualquer definição do jogo, como explicámos no guia dos monitores.

Caixa de velocidades e travão de mão, quando compensam

Depende do que jogas, e a resposta é bastante clara.

  • Corridas modernas de circuito não precisam de nada disto. As patilhas atrás do volante chegam.
  • Carros clássicos e camiões pedem alavanca. A Moza SGP sequencial fica em 174,99 euros, a HGP em H em 194,99, e a Thrustmaster TH8A em 179,99.
  • Ralis e derrapagens pedem travão de mão. O Moza HBP custa 144,99 euros e é a peça que mais muda o jeito de conduzir nesses jogos.

Se ainda não sabes que tipo de corridas te vai prender, deixa isto para depois. Estas peças compram-se bem passados uns meses, quando já sabes o que te faz falta.

Três coisas que vemos ao balcão

A primeira é comprar o volante certo para a consola errada. Acontece muito em presentes, e resolve-se com uma pergunta antes de pagar.

A segunda é gastar tudo no volante e ficar com os pedais que vinham na caixa. Fica um conjunto desequilibrado, e os tempos não descem.

A terceira é o oposto do que se espera. É comprar base direta para uma mesa de escritório barata. A força existe, a mesa abana, a pessoa reduz o efeito nas definições para metade, e fica a pagar por qualquer coisa que desligou.

Perguntas frequentes

Posso usar um volante de PlayStation numa Xbox?

Não. O chip de autenticação é diferente e a consola não o reconhece. No PC funcionam os dois, e é por isso que quem joga em computador tem a vida mais fácil.

Preciso mesmo de base direta?

Não precisas. Um volante de correia dá quase toda a experiência por metade do preço. A base direta faz sentido se jogas várias horas por semana e já tens onde a fixar em condições.

Um volante faz muito barulho?

Os de engrenagens fazem, sobretudo nas curvas rápidas e nas saídas de estrada. Os de correia são bem mais discretos e os de base direta quase não se ouvem. Se jogas de noite com gente a dormir em casa, isto conta.

Vale a pena comprar um volante usado?

Com cuidado. As engrenagens e os potenciómetros dos pedais são peças que se gastam, e sem garantia ficas com o desgaste de outra pessoa. Em telemóveis e portáteis o recondicionado compensa muito, e podes ver a nossa oferta em recondicionados com cinco anos de garantia. Em volantes, preferimos vender novo.

O volante serve para jogar tudo?

Serve para jogos de condução. Para o resto continuas a precisar de comando, e se ainda não tens um bom, o guia dos comandos explica o que muda entre eles.

Em resumo

Escolhe pela plataforma primeiro. Compra conjunto completo e não aro solto. Se tiveres de repartir o dinheiro, mete-o nos pedais antes de o meter em newton metros. E resolve a mesa antes de subir de gama, porque nenhum volante compensa uma secretária que abana.

Temos tudo isto em stock e podes ver a prateleira completa em gaming e em acessórios de gaming. Se ficares na dúvida entre dois modelos, fala connosco e dizemos-te qual dos dois escolheríamos no teu lugar.

Precisa de ajuda para escolher?

Veja os nossos recondicionados com garantia de 5 anos ou fale connosco.

Ver recondicionados