Vinte e tal por cento e o telemóvel desliga-se. Carregas, chega aos 100% em meia hora e ao almoço está outra vez a pedir tomada. Fica quente na algibeira sem estares a fazer nada de especial. A tentação é pôr a culpa no aparelho, que já tem uns anos, e começar a olhar para os novos.
Na maior parte destes casos o telemóvel está bom. O que envelheceu foi a bateria, uma peça de desgaste como os pneus de um carro, e troca-se numa hora. Convém é ler os sinais a tempo, ver o número certo nas definições e perceber em que altura deixa de valer a pena reparar. E há uma situação, só uma, em que deves parar de usar o aparelho nesse instante.
Os sinais de que a bateria está no fim
Uma bateria de lítio raramente morre de repente. Vai dando avisos, e quase todos aparecem antes de a saúde chegar aos 80%.
- Desliga-se com carga. Marca 20% ou 30%, abres a câmara ou o GPS, e apaga-se. Ligas à tomada e acorda com a mesma percentagem. A bateria já não aguenta o pico de consumo.
- A percentagem dá saltos. De 60 para 35 em dez minutos, depois fica meia hora parada. O medidor perdeu a referência porque a capacidade real já é outra.
- Carrega depressa e esvazia depressa. Uma bateria mais pequena enche mais depressa. Parece boa notícia e é o contrário.
- Aquece sem motivo. Quente a carregar, quente a ver vídeos, quente parado na algibeira.
- Morre no frio. Na rua, em janeiro, desliga-se aos 40% e em casa volta ao normal. Com o frio, uma bateria gasta perde tensão muito antes de uma nova.
- Ficou lento. No iPhone o próprio sistema abranda o processador quando a bateria deixa de aguentar os picos, e avisa-te nas definições. Em Android o aviso costuma ser reiniciar-se sozinho a meio de um jogo ou da câmara.
Um sinal só, num dia mau, não diz nada. Dois ou três a repetirem-se numa semana dizem tudo.
Como ver a saúde da bateria no iPhone
Vai a Definições, Bateria, Estado da bateria. A linha que interessa chama-se Capacidade máxima e compara a bateria de agora com a que saiu da fábrica. Aos 100% tens a autonomia do primeiro dia. Aos 85% já se nota ao fim da tarde. Quando desce dos 80%, o próprio iPhone escreve que a bateria se degradou de forma significativa e recomenda assistência.
A Apple desenha as baterias do iPhone 14 e anteriores para chegarem aos 500 ciclos completos de carga ainda com 80% da capacidade. Do iPhone 15 em diante o número passou para 1000 ciclos. Um ciclo é uma carga de 0 a 100, ou duas de 50 a 100. Quem carrega todas as noites faz perto de 300 ciclos por ano, o que dá menos de dois anos num iPhone antigo e o dobro num recente, em condições ideais. Com verões dentro do carro e noites debaixo da almofada, dá menos.
Do iPhone 15 para cima vês também a contagem de ciclos na mesma página. Nos modelos anteriores não aparece, mas a percentagem chega para decidir.

Quando a bateria foi trocada fora da Apple, o iPhone pode mostrar nesta página um aviso de peça desconhecida e, nalgumas versões do iOS, esconder a percentagem. O telemóvel funciona na mesma. É só o sistema a dizer que não consegue confirmar a origem da peça, e nada mais.
E no Android
Aqui depende da marca, e cada uma guarda o número num sítio diferente.
- Samsung. Nos Galaxy recentes está em Definições, Bateria, Informações da bateria. Em qualquer Galaxy dos últimos anos podes usar a app Samsung Members, em Suporte, Diagnóstico, Estado da bateria. O resultado vem como Normal, Fraco ou Mau, e Fraco já é motivo para pensar na troca.
- Google Pixel. Definições, Bateria, Estado da bateria. Do Pixel 8a em diante mostra a capacidade em percentagem, como o iPhone. Nos Pixel mais antigos a percentagem não está disponível.
- Xiaomi, Oppo, Motorola e as restantes. Algumas mostram o estado em Definições, Bateria, outras não mostram nada. Uma app como a AccuBattery estima a capacidade real ao fim de alguns carregamentos e serve para a maioria dos casos. Ou trazes o telemóvel à loja e fazemos o diagnóstico no momento, sem custo.
O teste caseiro nunca falha. Carrega a 100%, usa o telemóvel como num dia normal e vê a que horas passa dos 20%. Chegava à noite e agora fica pelo meio da tarde? A resposta está dada, seja qual for o número no ecrã.

Porque é que uma bateria se gasta
Dentro de uma bateria de lítio há iões a atravessar de um lado para o outro a cada carga e descarga. Cada viagem deixa um pouco de material preso pelo caminho, e a capacidade encolhe um bocadinho. É química. Acontece a todas e ninguém a trava. Trava-se a velocidade a que acontece, e os dois inimigos são o calor e os ciclos completos. Sobre watts, cabos e o mito do carregamento rápido já escrevemos o guia dos carregadores e cabos, e a conclusão é que a velocidade em si estraga pouco.
Duas coisas que se continuam a fazer e que não ajudam. Descarregar até zero de propósito para “calibrar” acerta a leitura do medidor durante uns dias e não devolve capacidade nenhuma, porque a que se perdeu não volta. E deixar o telemóvel a carregar a noite inteira debaixo da almofada junta as duas piores condições ao mesmo tempo, 100% durante horas e calor sem saída.
Num iPhone 15 ou mais recente, o limite de carregamento a 80%, na mesma página do estado da bateria, é das poucas definições que prolongam mesmo a vida da bateria. Perdes um pouco de autonomia por dia e ganhas meses no fim.
Bateria inchada. Para tudo
Há uma exceção à regra de esperar para ver. O ecrã começou a levantar num canto, a tampa de trás abriu uma frincha, o telemóvel já não assenta direito na mesa. A bateria inchou. É gás a formar-se dentro da célula e a empurrar tudo o que está à volta. Ao balcão confirma-se com a unha, que entra na frincha entre o ecrã e o aro onde antes não cabia.
A partir daqui não se carrega, não se aperta, não se fura e não se deixa ao sol. Desliga-o, guarda-o num sítio fresco e traz-nos o aparelho. A célula antiga sai e segue para reciclagem, nunca para o lixo comum. É a única situação em que trocar a bateria deixa de ser uma escolha.
Trocar a bateria ou trocar de telemóvel?
A regra ao balcão é curta. Se o resto do telemóvel te serve, troca-se a bateria. Custa uma fração de qualquer telemóvel e devolve a autonomia do primeiro dia. Connosco o diagnóstico é gratuito, a troca em si demora 30 a 60 minutos na maior parte dos modelos, e a reparação leva 12 meses de garantia sobre o mesmo problema. Podes deixar o equipamento na loja em Barcelos, terça a sábado entre as 16h e as 20h, sem marcação, ou enviá-lo por CTT depois de falares connosco.
A conta muda em três situações. O telemóvel já não recebe atualizações e a bateria seria a segunda ou terceira reparação. Há mais do que uma avaria ao mesmo tempo, bateria e ecrã, ou bateria e conector. Ou o aparelho é tão antigo que o valor da peça se aproxima do de um recondicionado com garantia. Nesses casos o guia sobre reparar ou comprar outro telemóvel ajuda a fazer as contas com calma.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Saúde acima de 85%, autonomia normal | Nada, está boa |
| Saúde 80% a 85%, chega ao fim do dia à justa | Podes esperar, muda hábitos |
| Abaixo de 80%, ou desliga-se com carga | Trocar a bateria |
| Bateria inchada | Trocar já, sem carregar |
| Bateria gasta e mais uma avaria | Fazer contas, ver o guia |
| Bateria gasta num modelo sem atualizações | Pensar num recondicionado |
Portáteis, consolas e relógios também têm prazo
Num portátil com Windows abre a linha de comandos e escreve powercfg /batteryreport. O relatório compara a capacidade de fábrica com a capacidade atual, e a divisão entre as duas é a saúde da bateria. Num MacBook está em Definições do Sistema, Bateria, e a contagem de ciclos em Informações do Sistema. Abaixo dos 80%, ou quando aparece Assistência recomendada, a conta é a mesma dos telemóveis.
Nos portáteis o sinal de bateria inchada é outro. O trackpad deixa de fazer clique, porque a célula está por baixo e empurra-o para cima, e a tampa inferior deixa de assentar. Antes de dares o trackpad por avariado, olha para a bateria.

Consolas portáteis, comandos e smartwatches levam baterias mais pequenas e gastam-nas mais depressa, porque cada carga é um ciclo inteiro. Um relógio que já não passa de um dia está a pedir o mesmo que o telemóvel. Reparamos telemóveis, portáteis, tablets, consolas e relógios, e o diagnóstico é sempre gratuito.
Perguntas frequentes
A partir de que percentagem devo trocar a bateria?
Abaixo dos 80% é a referência da própria Apple e da maioria dos fabricantes. Entre 80% e 85% depende de como usas o telemóvel. Com o aparelho a desligar-se com carga, ou inchado, a percentagem deixa de interessar.
Quanto tempo demora a trocar a bateria de um telemóvel?
A troca em si demora 30 a 60 minutos na maior parte dos modelos. Equipamentos colados ou com a bateria por baixo da placa levam mais tempo. No diagnóstico dizemos-te quanto demora e combinamos quando podes levantar.
Trocar a bateria apaga os meus dados?
Não. A troca é mecânica e não toca no armazenamento. Mesmo assim faz uma cópia de segurança antes de entregar qualquer equipamento, por princípio.
A bateria de um recondicionado vem gasta?
Nos nossos recondicionados a bateria sai entre 95% e 100% de saúde em qualquer grade. Quando descer com os anos, troca-se, e durante os 5 anos de garantia continuas a ter o nosso apoio.
Em resumo
Desliga-se com carga, dá saltos na percentagem ou marca menos de 80% nas definições, e a bateria está no fim. Com o resto do telemóvel a servir-te, a troca demora uma hora e dá-te anos. Uma bateria inchada não espera, para de o usar e traz-o. E quando a bateria é só a primeira de várias avarias, faz contas antes de gastar.
Fala connosco na página de reparações ou passa pela loja em Barcelos. E se a decisão for mudar de telemóvel, os nossos recondicionados com 5 anos de garantia chegam com a bateria entre 95% e 100% de saúde, verificada um a um.
